domingo, 2 de julho de 2017

A oração que não fiz

Quem me dera ter feito uma oração. Quem me dera ter me voltado ao Senhor com todo o ímpeto da minha alma e recostado a minha vida em seu sublime ser. Quem me dera ter confiança na bondade eterna e sem se voltar a uma leitura simplista de minha soberba existência deleitar-me em Deus. Quem me dera estar conformado a sua vontade sem ater-me as vontades precipitadas de minha própria carne. Quem me dera descrever de forma coerente todos os sentimentos sentidos por mim e poder saber o sentido dos meus sentimentos de imediato. Quem me dera falar tendo consciência que serei ouvido. Quem me dera mesmo sem ter em mim a certeza que tudo isso é um fato e como algo dado ser-me concedido gratuitamente.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Um chamado

O sujeito quando acordado se depara com aquilo que sente em seus sentidos sensoriais e lhes atribui o ser real. O que é real, indiferente de princípios ou conceitos, sente o sujeito nessa experiência. O real circunscreve o sujeito nas ações e reações deste fato indubitável. As ações serão gestos baseados no senso que o sujeito possui. Sua reação será o ato posposto frente à colisão de seu senso do real; tendo em vista a retificação da veleidade de seu siso ou consenso de seus primeiros atos. Aqui indefere as posições tomadas do indivíduo em questão. O que está colocado é: o que será evocado no e do sujeito independente do desfecho em sua experienciação?

sexta-feira, 24 de março de 2017

O julgamento

Não julgue!
Se você estiver julgando não julgue a si mesmo por causa disso!
Abstenha-se de qualquer pensamento de julgamento!

Entretanto, para não julgar seu próprio julgamento você precisa julgar de alguma maneira que está cometendo um julgamento.

Há como pensar e não julgar?
Viver e não julgar?
Não julgar?


Julgue!

terça-feira, 14 de março de 2017

O problema¹ do sofrimento

Pode-se perceber o sofrimento como ferramenta indispensável para dar forma à pessoalidade de um indivíduo. Sim, o sofrimento na existência é irrevogável. Então, podemos concluir que seu valor no processo de formação do indivíduo também o é. Tendo a conclusão partiremos agora para uma compreensão na prática. Daremos um autodirecionamento a nós mesmos mediante a indução do sofrimento. Vindo a alegria, ou qualquer sensação benéfica aparente, iremos suprimi-la. No lugar dela induziremos nossa variável direcional para o crescimento e desenvolvimento pessoal: o sofrimento. Mas há um “porém” nesse procedimento. O sofrimento que se induz não é sofrimento, é masoquismo. O sofrimento não pode ser previsto por limitações inerentes a humanicidade. O ser humano é um ser sofrido, mas seu sofrimento não é dependente de sua própria manipulação, pois sofrimento que se sabe ter e que se atribui a si mesmo não é sofrimento real, é realidade de algo que se sentirá e terá controle. De fato, algo que se sente é o sofrimento, mas controle não soa bem ao lado deste. O que se controla não pode ser justaposto ao sofrimento, já que este o indivíduo que sente o sentirá como mal sobre si.


¹Problema: o sentido na postagem é de problema científico.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Não tão linear

Quando penso em desenvolver uma atividade, aprender algo ou até planejar minha vida reluto em ter em mente um desenvolvimento destas tarefas e pensamentos de modo não linear. Penso que tudo possa ser atribuído do ponto A ao ponto B de forma clara e precisa assim como bons livros didáticos ou até mesmo exposições precisas de grandes oradores. Sim, em minha mente há essa necessidade de ordem como em uma folha em branco somente com os números dos tópicos a serem descritos e uma caneta na mão. Bom, mesmo com todo esse cenário não consigo ser ordeiro com estes pensamentos de ordem que em mim são concebidos.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Público e privado

Observando um pouco não é muito difícil perceber que há uma disparidade no que as pessoas são em público (em maior número) e o que são na vida privativa (sós ou em menor número). É humano ter essa diferenciação, intimidade para o público, pois Jesus teve mesmo não sofrendo influência do pecado em si mesmo. Mas Jesus em público compartilhava ideias reais, a respeito de si, do Pai, do mundo e das pessoas, já na intimidade ele compartilhava sua alma (geralmente tão transparente que mostrava aquilo que é além do que os olhos poderiam ver - a transfiguração; em suas mais profundas angústias e dores, no Getsêmani). No entanto, nos humanos que sofrem a influência do pecado, desde o ventre, é comum ver uma grande diferença entre o público e o restrito, e tal diferença é pecaminosa, pois faz com que o discurso às grandes multidões não sejam evidenciados na intimidade, e vice-versa, ao contrário do que ocorreu com Jesus que um momento confirmava o outro. O que realmente se entende é que o anseio em transparecer o que não é em prol de uma ideia que segue, quer seja religiosa, política, ideológica ou cosmológica, é mais importante do que mostrar o que realmente é apesar das ideias que acredita - manutenção de um padrão histórico em detrimento da verdade do ser. Logo, pensamos que o que acreditamos necessita de nossa defesa verbal para existir, mesmo que isso não confirme o que realmente somos e vivemos!